Tartari participou ontem do lançamento da publicação FEE Setorial, analisando o segmento de celulose de mercado. O evento teve também com a presença do presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes. Sobre o aproveitamento do modal aquaviário, o empresário destacou que, além do escoamento da celulose pela hidrovia gaúcha, até chegar a Rio Grande, a companhia também traz do porto de Pelotas parte da madeira que utiliza como matéria-prima na unidade da Região Metropolitana. A operação pela estrutura pelotense começou em outubro e até o final do ano deverá atingir a capacidade plena de movimentação (cerca de 1,2 milhão de toneladas de tora de madeira por ano).
CMPC aguarda por fim da restrição da compra de terras por estrangeiros

Durante a palestra na Fundação de Economia e Estatística (FEE), o presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, manifestou seu descontentamento com parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que limita a aquisição de terras brasileiras por empreendedores estrangeiros (a controladora da CMPC Celulose Riograndense é chilena). O empresário salienta que essa postura é um obstáculo à expansão do setor de celulose no Brasil (por causa da dificuldade para se conseguir áreas para o plantio de florestas) e recorda que a finlandesa Stora Enso pretendia construir uma planta de celulose na Fronteira Oeste gaúcha e acabou desistindo.

Assim como a Stora Enso, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) também almejava implementar uma fábrica no Estado, porém a unidade seria instalada em Rio Grande ou Arroio Grande, mas, por fatores distintos, a ideia não prosseguiu. Quando fez menção a esse projeto na sua apresentação, Nunes deixou escapar que sonha em “ver se esse empreendimento ainda acontece”, transparecendo que a CMPC, caso tenha condições jurídicas e de mercado, poderia abrir um novo complexo produtivo no Rio Grande do Sul. O executivo espera que o parecer da AGU seja revisto e salienta que vários segmentos do agronegócio, além do setor de celulose, ficam impedidos de crescer através investimentos que poderiam vir do exterior. “A gente sabe que o Brasil não tem poupança interna para bancar seu autodesenvolvimento”, frisa Nunes. O presidente da CMPC estima que uma nova fábrica, com capacidade para produzir cerca de 2 milhões de toneladas ao ano de celulose, significaria, em investimentos florestais e na própria unidade industrial, um aporte de aproximadamente R$ 10 bilhões.

Conforme Nunes, o Brasil verifica em torno de 7,8 milhões de hectares em florestas plantadas, o que não representa 1% da área total do País. A produção nacional de celulose é de cerca de 17,4 milhões de toneladas anuais (sendo 9,4 milhões de toneladas destinadas para exportações), sendo a quarta maior do planeta, atrás somente dos Estados Unidos, China e Canadá.

Fonte: Jornal do Comercio (POA)

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