A tragédia de Brumadinho completa dois meses nesta segunda-feira (25). Uma dor que ainda não passou para os familiares das mais de 300 vítimas nem para moradores e produtores da cidade. No quesito econômico, os efeitos virão até mesmo para quem não viveu de perto esse drama e podem chegar ao bolso do consumidor. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, com a redução na produção de minério de ferro, o risco de faltar matéria-prima já é uma realidade próxima, e, com a queda na oferta, o aço pode ficar mais caro. “O minério de ferro subiu, e o preço do aço também já subiu cerca de 10%. Isso vai refletir em toda a cadeia, como siderurgia, metalurgia, mecânica, indústria automotiva e outros”, destaca Roscoe. 

O presidente da fabricante de eletrodomésticos Suggar, Leandro Costa, confirma que a preocupação existe. “Por enquanto, não sentimos reflexo. Mas há um temor de que a queda na produção de minério provoque um aumento de preço no aço”, explica. 

Para minimizar os reflexos da queda da produção de minério, a Fiemg está em contato com a Vale. “Conversamos com a mineradora para que ela reduza o volume de exportações, com o objetivo de manter o abastecimento da demanda doméstica”, afirma. 

Roscoe lembra que, quando aconteceu o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, em 2015, o impacto foi menor. “A Samarco já destinava tudo para exportação. No caso da Vale, ela é a maior responsável pela produção de minério. E não temos onde buscar. A Anglo American, por exemplo, tem toda sua estrutura voltada para exportação, via mineroduto, por isso não daria para suprir”, pondera. 

O economista Glauber Silveira, pesquisador da Fundação João Pinheiro (FJP), lembra que em 2015, após o desastre em Mariana, a participação da indústria extrativa, que tinha chegado a responder por 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado em 2013, caiu para 3,6%. “Depois disso, a Vale começou a reativar outras minas e, em 2018, o setor já tinha recuperado”, lembra. Mas, agora, a previsão é de desativar. 

Um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que o descomissionamento das dez barragens (a montante) que a Vale anunciou para os próximos três anos vai gerar perda de 15 mil postos de trabalho e queda de R$ 575 milhões na arrecadação. O estudo estima ainda uma queda de 32% no comércio e de 14% na eletricidade. 

PIB vai encolher 
A Fiemg também fez um estudo sobre o impacto do desastre no PIB mineiro. Pelo cenário atual, que considera as paralisações da Vale, só a indústria extrativa mineral terá queda de 14% na produção e deixará de faturar R$ 24,9 bilhões em 2019. Nos demais setores, as perdas serão de R$ 67,7 bilhões. Ao todo, Minas Gerais deixará de faturar R$ 92,6 bilhões e perderá 851 mil empregos, além de enfrentar uma queda de 4,3% na arrecadação direta. Segundo as estimativas da Fiemg, tudo isso custará uma queda de 7,3% no PIB. 

De acordo com Silveira, os reflexos serão maiores para as cidades que dependem da mineração e sofrerão com os descomissionamentos das atividades da Vale: Nova Lima, Itabirito, Congonhas, Ouro Preto, Sarzedo e Brumadinho. Mas todo o Estado vai sofrer: “Considerando a situação fiscal de Minas, essa dependência deixa tudo mais complicado, pois dificulta a capacidade de Estado e municípios de honrar os compromissos”. 

Fonte: INDA

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