A Usiminas já começou a normalizar sua produção de aço em Ipatinga (MG), depois que um dos gasômetros da usina explodiu na sexta-feira e levou a companhia a paralisar temporariamente suas atividades. Os altos-fornos, ponto-chave das áreas primárias, ainda estão desligados e voltarão à ativa de maneira gradual, mas uma parte da laminação já está normalizada, informou a empresa, ontem, em nota.

Segundo o comunicado da siderúrgica, todos os setores da unidade que não têm relação direta com o gasômetro responsável pelo incidente já voltaram a funcionar. A laminação a frio e a galvanização da Unigal, empreendimento conjunto com a Nippon Steel & Sumitomo Metal, por exemplo, estão operando. A partir de hoje, outras áreas, como a administrativa, também funcionarão normalmente.

“Os colaboradores que atuam em áreas que ainda não voltaram ao funcionamento regular apoiarão nas atividades necessárias à retomada das operações”, diz o comunicado. Desde o dia da ocorrência, a empresa tem trabalhado para acalmar o mercado, e uma fonte próxima à siderúrgica disse ao Valor que provavelmente o retorno à normalidade não demoraria muitos dias.

Por enquanto, a companhia informa que ainda não há data para a volta total da produção, mas que as preparações para uma retomada gradativa estão em curso.

Áreas de laminação a frio e galvanização voltaram a operar, mas ainda não há previsão para retomada total

Na sexta-feira, um gasômetro da usina de Ipatinga, a maior da empresa mineira, explodiu por volta de 12h40, deixando 34 pessoas feridas. Todos foram atendidos no hospital Márcio Cunha, pertencente à Fundação São Francisco Xavier, fundada pela própria Usiminas, e tiveram alta até a manhã do sábado. O fato de a explosão ter se dado na hora do almoço ajudou a reduzir os potenciais danos. No total, 4 mil pessoas estavam na usina.

Por conta do acidente, a unidade teve de ser completamente paralisada e seus funcionários, retirados, mas no próprio fim de semana algumas atividades começaram a voltar ao normal. Segundo a Usiminas, os gasômetros estavam em dia com a manutenção preventiva e seguem os padrões internacionais.

 A explosão foi sentida em várias partes da cidade, localizada no Vale do Aço. Houve relatos ao Valor de vibração nas janelas de casas, tremores em prédios e até de pessoas que decidiram sair momentaneamente da região. De acordo com o jornal mineiro “O Tempo”, citando o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), o abalo chegou à magnitude 1.8 na escala Richter.

Mesmo que a produção demore a chegar à capacidade de antes do acidente, para o resultado da Usiminas o impacto pode ser neutro. Isso porque, como mostram as demonstrações financeiras de 2017 da siderúrgica, há uma apólice de seguro contratada para riscos operacionais, como é padrão de grandes indústrias, que se encerra em 31 de dezembro. A indenização cobre até US$ 600 milhões.

A reação do mercado, contudo, foi forte após a notícia. As ações preferenciais classe A da Usiminas, que compõem o Ibovespa, caíram 7,3% na sexta-feira, fechando a R$ 7,91 cada – terceira maior queda do principal índice da B3 no dia -, mas chegaram a recuar 10,9% na mínima, de R$ 7,60. Foi a segunda desvalorização mais aguda dos papéis em 2018 e que levou o preço ao menor nível em um mês.

Em e-mail enviado a clientes, o Itaú BBA considerou o movimento na bolsa “exagerado”.

A explosão do gasômetro foi o segundo incidente registrado na usina durante a semana passada. Na quarta-feira, Luis Fernando Pereira, funcionário da contratada Abreu Manutenção Operação Industrial (Amoi), e que prestava serviços à Usiminas desde 2016, sofreu acidente fatal na aciaria durante uma manutenção.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga e Região (Sindipa) diz que o terceirizado ficou preso durante um vazamento de gás e morreu no local. A Usiminas nega qualquer relação entre o ocorrido da quarta e o da sexta.

Equipes técnicas designadas pela siderúrgica, acompanhadas por autoridades, estão apurando as causas do acidente. A companhia reitera que está cooperando e dando todas as informações requisitadas pelo poder público. Na própria sexta-feira, o governo de Minas Gerais chegou a enviar técnicos para medir a qualidade do ar na cidade e avaliar as condições dos equipamentos na usina.

A unidade de Ipatinga é a única da Usiminas que ainda produz em altos-fornos, depois que a empresa desligou as áreas primárias em Cubatão (SP). A usina tem cerca de 6,5 mil funcionários diretos.

Fonte: INDA

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