As compras do Brasil aumentaram 16% até abril, acima da valorização de 5,23% do dólar sobre o real em igual período; consumo e investimento puxaram movimento

As importações brasileiras estão crescendo não somente em valor, como em quantidade, indicando um momento de recuperação do investimento e do consumo interno, avaliam especialistas ouvidos.

Entre janeiro e abril deste ano, as compras do Brasil avançaram 16% (para US$ 54,2 bilhões), contra iguais meses de 2017, bem acima da valorização de 5,23% do dólar em relação ao real, no mesmo período, indicando acréscimo no volume de produtos que entraram no País.

Algumas das importações que mais aumentaram no primeiro quadrimestre foram aparelhos transmissores e receptores (+10,6%, para US$ 2,491 bilhões); óleos combustíveis (+59,3%, para US$ 2,421 bilhões); peças de automóveis e tratores (+29%, para US$ 2,103 bilhões); circuitos integrados e eletrônicos (+22,5%, para US$ 1,585 bilhão); óleos bruto de petróleo (+82,5%, para US$ 1,335 bilhão); automóveis (+66,3%, para US$ 1,317 bi); veículos de carga (+58,8% para US$ 681 milhões); instrumentos médicos (21,8%, a US$ 469 milhões), mostra o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Para o professor de economia da ESPM, Orlando Assunção Fernandes, o movimento de expansão das importações reflete uma recuperação da atividade e dos investimentos da indústria nacional, após três anos de queda. Ele ressalta o avanço que tem ocorrido nas compras de bens de capital, como máquinas e equipamentos, que cresceram 23,2% nos primeiros quatro meses do ano, contra igual período de 2017, para US$ 6 bilhões.

Fernandes lembra que a valorização do dólar em relação ao real, desde o mês passado, ainda não teve impacto sobre a maioria dos produtos importados no primeiro quadrimestre, uma vez que as encomendas das empresas costumam ser feitas com antecedência (cerca de seis meses antes, em média).

“A alta das importações até abril está muito ligada à demanda interna e especificamente ao crescimento da indústria”, complementa Fernandes, apontando que o aumento das compras de produtos laminados de ferro e aço (+42,7%, para US$ 479 milhões), partes de automóveis e tratores e veículos de cargas indicam elevação da atividade industrial e atualização de equipamentos.

O professor de economia do Ibmec-SP, Walter Franco, por sua vez, lista outras importações que sinalizam retomada de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, investimentos) no Brasil, como as de circuitos integrados e eletrônicos e máquinas automáticas para processamento de dados (+ 37,9%, para US$ 436 milhões).

Gás natural e óleo bruto
Franco ressalta ainda que as entradas de óleos brutos de petróleo, combustíveis e gás natural (+ 57,6%, para US$ 450 milhões) refletem expansão de consumo, tanto das famílias, como de empresas, mas especialmente em relação a essas últimas. “As companhias podem estar usando mais combustível para o funcionamento de máquinas, equipamentos, geradores, entre outros”, afirma Franco. “Alta de importação de combustível, petróleo e gás natural significa reaquecimento da economia”, diz.

O professor do Ibmec pondera que a expansão do valor das compras desses insumos também está relacionada com o aumento da cotação destes no mercado internacional. Porém reforça que, como o crescimento das entradas foi bastante expressivo, acima de 50%, ele também se explica pela recuperação da atividade.

Para Franco, a tendência para os próximos meses é de uma maior volatilidade do câmbio. “Os importadores estarão mais suscetíveis às oscilações do dólar nos próximos meses”, diz o professor, ressaltando que a moeda americana tende a se valorizar não somente em relação à moeda nacional (em decorrência da turbulência das eleições), como frente às moedas dos demais países, já que o capital dos EUA está mais atrativo diante da alta dos juros.

Porém, ele lembra que o Banco Central (BC) pode intervir para amenizar a alta do câmbio, como já fez ontem, ao realizar um leilão de até 8.900 contratos de swap cambial.

Fonte: Instituto Aço Brasil

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