A decisão de Donald Trump de excluir um grupo de países, incluindo o Brasil, da sobretaxa de 25% nas importações de aço e de 10% sobre o alumínio tem um efeito imediato de causar divisão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Brasil, União Europeia (UE), Argentina, Austrália, Coreia do Sul, México e Canadá vão certamente baixar o tom das críticas à medida unilateral de Trump. Ao mesmo tempo, devem começar a se preparar para fazer concessões aos EUA.
Ontem, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, confirmou aos Congressistas americanos de que o presidente Trump decidiu “suspender a imposição” das tarifas da UE e de alguns outros países aliados para permitir a continuidade das negociações. Essas exceções representam ao menos metade das importações de aço e alumínio dos EUA em 2017.
A promessa do USTR de excluir o aço brasileiro das sobretaxas, pelo menos em um primeiro momento, espalhou otimismo em Brasília. Para integrantes do governo, há boas chances de escapar definitivamente da barreira, insistindo na tese de complementariedade das cadeias produtivas.
A atuação do congressista americano Pat Meehan, do Partido Republicano, foi lembrada como importante no diálogo com o USTR. Ele faz parte do Brazil Caucus (grupo de parlamentares “amigos” do Brasil), é contato frequente da embaixada em Washington e inquiriu Lighthizer publicamente sobre a exclusão do aço brasileiro.
Ou seja, a estratégia de Trump de dividir para reinar, concedendo isenções bilaterais da punição que decidiu impor, na prática desvincula países importantes de qualquer ação coletiva contra o unilateralismo da Casa Branca. É algo muito ruim para o sistema multilateral, mas vigora o pragmatismo a esta altura.
Hoje, no Conselho de Comércio de Bens, a expectativa é de que vários países continuem reclamando do unilateralismo da Casa Branca e do clima de guerra comercial criado nas últimas semanas, inclusive os que agora estão isentos, mas com mudança de tom.
O Brasil e outros países de renda média sempre investiram muito no sistema multilateral do comércio. Conseguiram na Rodada Uruguai, por exemplo, acabar com medidas unilaterais como a restrição “voluntária” de exportações.
Agora, mesmo se conseguirem se beneficiar de exceções temporárias, vão precisar defender mais do que nunca o sistema multilateral.

Fonte: Valor Econômico

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