Entidades que representam grandes indústrias consumidoras de aço – como montadoras de automóveis e fabricantes de bens de capital e de eletrodomésticos – se uniram para tentar barrar o pedido de direito antidumping feito por siderúrgicas brasileiras contra as importações de bobinas e chapas de aço produzidas na China e na Rússia.
Um grupo de 18 associações industriais encaminhou na quarta-feira pedido de audiência com o presidente Michel Temer, na qual pretendem pleitear o arquivamento da investigação. Em paralelo, foram endereçados ofícios aos ministros que compõem o conselho da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
O processo, iniciado em julho do ano passado a pedido de ArcelorMittal, CSN e Gerdau, chegou à Camex, que deve decidir em breve sobre a aplicação ou não da tarifa antidumping sobre produtos que, no ano passado, responderam por 16% das importações nacionais de aços planos.
As associações que representam alguns dos maiores clientes das siderúrgicas argumentam que, ao abrir margem para aumentos nos preços do produto nacional, a medida afeta a competitividade de indústrias que utilizam aço como matéria-prima.
No pedido de investigação, as siderúrgicas, por sua vez, apontaram margens de dumping – ou seja, diferenças em relação a preços considerados normais desses produtos – de US$ 247,56 por tonelada nas exportações dos russos e de US$ 256,35 nos valores cobrados pelos exportadores da China.
Exportar produtos a preços abaixo do valor de mercado para eliminar concorrentes, ação conhecida como dumping, é considerada uma prática desleal de comércio. As regras observadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) permitem que países prejudicados adotem, nesses casos, medidas de proteção comercial.
Entre os danos que teriam sido causados pelo dumping, as siderúrgicas nacionais alegam que foram forçadas a reduzir preços em 2015, um dos períodos analisados no processo, para concorrer com os produtos investigados.
A ABIMAQ, entidade que representa os fabricantes de máquinas e equipamentos, acusa, porém, as siderúrgicas de não levarem em conta a pressão sobre os preços produzida pela crise econômica e pelo volume adicionado no mercado com o inicio, em 2013, da produção de bobinas de aço pela Gerdau.
“O processo não considera que o consumo de máquinas caiu pela metade desde dezembro de 2013, a produção de caminhões recuou 70% e a de carros, 40%. O mercado desapareceu e, além disso, houve a entrada de um novo laminador. Ficamos com uma situação de menos demanda e mais oferta”, comenta o presidente-executivo da ABIMAQ, José Velloso, para quem os preços da bobina de aço podem subir 20% se a aplicação do direito antidumping for aprovada.
Além da ABIMAQ, o pedido de audiência com Temer é assinado por entidade como Anfavea, que representa as montadoras de veículos, a Eletros, representante da indústria de produtos eletroeletrônicos, e a Abifer, da indústria ferroviária, bem como associações que abrigam empresas de indústrias metalúrgicas, de ferramentas, de engenharia industrial e de produtos de refrigeração, como ar condicionado e ventiladores. Na última segunda-feira, representantes dessas entidades se reuniram na sede da ABIMAQ, na zona sul de São Paulo, para definir a campanha contra o processo.
Juntas, China, com quase metade do total (49,4%), e Rússia, com 24,4%, responderam por 73,8% das mais de 185 mil toneladas de chapas e bobinas de aço laminadas a quente – produto alvo da investigação – importadas em 2016. A ABIMAQ, que lidera o movimento contra o antidumping, listou 25 setores que seriam afetado pela medida, entre atividades industriais e de infraestrutura.
“Esse antidumping tem poder destruidor maior do que outros por envolver uma especificação de aço usada em várias atividades”, comenta Velloso, da ABIMAQ.


Fonte: Agência Estado

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