Inaugurada há seis anos com a promessa de alavancar a produção industrial fluminense, a Companhia Siderúrgica do Atlântico opera com 20% menos da capacidade total. A crise no setor impõe obstáculos para que a CSA atinja a produção estimada no início do projeto: 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano. Atualmente, 1 milhão a menos sai dos dois altos fornos instalados na sede da companhia, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A alemã ThyssenKrupp, hoje única acionista da empresa, colocou à venda o controle da companhia. No entanto, segundo o professor da Universidade do Estado do Rio Bruno Leonardo Barth, a Thyssen está investindo na fase operacional da siderúrgica para não vendê-la a um preço abaixo do investimento inicial. O economista diz ainda que os sucessivos atrasos no cronograma de implantação fizeram com que a empresa enfrentasse a concorrência direta da China e a saturação do mercado mundial.

“Houve uma perda de timing. O projeto não ficou pronto a tempo de aquela que era a realidade de mercado no momento da decisão ser aproveitada. Quando mudou a realidade, ficou a questão de como se desfazer do empreendimento de uma forma honrosa e, ao mesmo, quais são as vantagens para quem assumir o ativo siderúrgico”, avalia o especialista.

No fim de setembro, a comissão ambiental do estado do Rio conceceu uma licença de operação para CSA que vale por cinco anos. O Ministério Público, no entanto, é contra a decisão. Para a promotora do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Vanessa Martins, a empresa não apresentou estudos satisfatórios sobre o impacto da produção siderúrgica na saúde da população.

“Era essencial que esses impactos, de fato, fossem diagnosticados para que a empresa apontasse as medidas para diminuir ou elimiar os riscos da população no que diz respeito à sua saúde, segurança e bem-estar”, diz a promotora.

Só em multas ambientais, a CSA já desembolsou cerca de R$ 15 milhões. Entre 2010 e 2012, a empresa foi notificada várias vezes pela ocorrência do fenômeno conhecido como “chuva de prata”. Na época, casas vizinhas à siderúrgica foram cobertas por uma fuligem emitida durante a produção de aço. Quase 300 moradores entraram com ações judiciais contra a empresa, mas a maioria delas continua parada na Justiça. Outras 43 deram ganho de causa à CSA. O cozinheiro Luiz Carlos Carvalho da Silva diz que não foi indenizado porque a Justiça entendeu que a companhia fez melhorias para a comunidade no entorno.

“Isso aqui ficou cheio de purpurina, tipo um pó de ferro. Entrei com um processo, mas até hoje não tive resposta. Eles alegam que a CSA está fazendo benefícios para a comunidade, mas, para mim, não está fazendo benefício nenhum”, lamenta o morador.

De acordo com a Secretaria Estadual de Ambiente do Rio, a Companhia Siderúrgica do Atlântico cumpriu todas as normas de adequação e provou estar apta para ter a licença. A empresa teve que arcar com mais de R$ 267 milhões para ajustar a planta industrial, investir em projetos socioambientais e na construção de escolas na região onde está instalada.

Fonte: CBN

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preciso de ajuda? Converse conosco