Com margens espremidas principalmente pelo encarecimento do carvão de coque no mercado internacional, as fabricantes brasileiras de aços planos estão anunciando um reajuste médio de preços em 5% para seus produtos. Segundo adiantado pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o aumento vale a partir de 1º de novembro e será aplicado sobre a rede de distribuição.

Essa é quarta rodada de alta nos preços em 2016, em um momento no qual ninguém esperava que as siderúrgicas ainda tivessem força para isso. O comunicado às distribuidoras deve ser entregue por Usiminas, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e ArcelorMittal Tubarão aos clientes até o fim deste mês.

Com o novo reajuste, o aço plano brasileiro acumula uma alta de quase 40% em 2016. O problema é que agora os preços lá fora já perderam força e, ao mesmo tempo, a taxa cambial arrefeceu. A bobina a quente chinesa, por exemplo, referência mundial do segmento, cai 11% frente ao pico do ano, enquanto o dólar recua 9% ante o real desde os primeiros aumentos das usinas no Brasil.

O prêmio do produto nacional sobre o estrangeiro, que geralmente é considerado mais saudável para a concorrência entre 5% e 10%, já se encontra próximo a 15%, calculam analistas. Se ficar ainda maior do que essa taxa, é possível que anime importadoras a aumentarem seus volumes de vendas ao mercado interno.

Mas com problemas financeiros e baixa visibilidade de recuperação na demanda, essas empresas colocaram o pé no freio desde o ano passado. Agora, a parcela do consumo aparente de aços planos que é dominada pela importação encontra-se em apenas 6%, ante 18% em 2015.

Entre abril e junho, as siderúrgicas aplicaram reajuste de 10%, em média, em cada mês. O terceiro trimestre foi o primeiro em que a alta cheia apareceria nos balanços das companhias. O problema é que a rentabilidade começou a ser ameaçada depois que o preço do carvão disparou.

O carvão é a segunda principal matéria-prima para a fabricação do aço, sendo a primeira o minério de ferro. Para se produzir uma tonelada de aço, são utilizados cerca de 1,6 tonelada de minério e mais 500 a 600 quilos de carvão de coque. O preço deste segundo subiu de algo em torno de US$ 80 a tonelada no começo do ano para mais de US$ 220 há algumas semanas, por conta do fechamento de minas na China.

O J.P. Morgan acredita que a principal empresa afetada por esse movimento do carvão é a Usiminas. A siderúrgica só faz aço plano e importa todo o carvão que usa em suas usinas. O banco vê a cotação da commodity perdendo força até o ano que vem, ficando com média de US$ 114 em 2017. Nesse caso, o Ebitda da empresa mineira deve fechar o ano que vem em aproximadamente US$ 290 milhões.

Mas, se o valor que se observa atualmente para a matéria-prima se mantiver, o efeito será tão negativo que pode botar por terra o programa da Usiminas de se recuperar operacionalmente durante o ano que vem. O custo adicional só por causa do carvão, que no começo de setembro era de US$ 131 milhões, segundo relatório do J.P. Morgan, já chegaria a algo em torno de US$ 200 milhões.

No caso da CSN, o gasto adicional chega a US$ 209 milhões, mas é muito mais diluído principalmente por conta do negócio de mineração do grupo.

Se o efeito do carvão mais caro não bate diretamente nas siderúrgicas agora, por conta de estoques do material e de aço produzido entre dois e três meses, certamente minguaria as margens que conquistaram por meio dos reajustes no segundo trimestre.

Para se ter uma ideia da dimensão, os três primeiros reajustes encareceram a bobina a quente brasileira em aproximadamente US$ 120 por tonelada. O carvão, apenas desde aquela época, subiu US$ 100.

 

Fonte: Valor Econômico

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